Entenda o Proj. Antes do Fim do Mundo... e um pouquinho além.



Diário de Motocicleta

Você ceramente se lembra que o mundo ia acabar em 2012 por conta do Fim do Calendário Maia, certo? Então, qual era a melhor época para ir até o Fim do Mundo?

Com essa sacada, eu e a Elda partimos rumo ao Ushuaia em meados de Dezembro de 2012, carregados de ansiedade em cruzar a Patgônia e ver o Pôr do Sol no dia 22 de Dezembro - Dia do Fim do Mundo, en directo del Fin del Mundo.

Acontece que na altura de Floripa a Elda adoeceu, o que nos fez voltar para casa para deixa-la
No dia seguinte voltei para estrada afim de cumprir os contratos feitos com nossos parcerios.

Foi a primeria vez que viajei sozinho, e a loucura veio com a ausência da Elda, que durante oito meses planejou cada passo daquela aventura e agora, não estava mais comigo.

Os Ventos Patagônicos e o Rípio foram vencidos, vi pinguins, neve, viajei com a luz do Sol até as 23h, e não vi o Pôr do Sol no dia 22, por que estava chovendo, mas eu estava lá... no fim da RUTA 3 - eu desci por ela, e subi a RUTA 40, curtindo cerca de 850 km de rípio.

Apesar da companhia de muitos amigos, chorei sozinho por passar as festas de Fim de Ano longe da minha filha, por não estar com a Elda no dia do seu aniversário, e por vezes, atônito diante das tantas coisas que descobrimos sobre nós mesmo, quando estamos no mundo sem ninguém.

PLAZA ISLAS MALVINAS

Cidade: Ushuaia/AR | Categoria: Passeios
Postado em: 19/5/2013
Diário de Motocicleta

Nas andanças do Diário de Motocicleta pelo Cone Sul, um fato que sempre chamou a atenção refere-se ao patriotismo. Mesmo nos lugares mais remotos e pobres da Bolívia, Paraguay ou Peru, a bandeira hasteada na frente das casas é uma cena comum deste povo sofrido, coisa que não acontece no Brasil, onde dificilmente na sua cidade haverá mais que uma ou duas bandeiras da nossa pátria tremulando ao vento. Fato!

Na Argentina, além do orgulho Hermano expresso em grafites, bandeiras e camisas, uma placa se destaca nas estradas (rutas 3, 12 e 40 principalmente) carregando os dizeres “Las Malvinas son Argentina” e este sentimento está enraizado na cultura popular.


Um pouco de história


Para os mais novos, em meados de 1982, mas precisamente entre Abril e Junho daquele ano, Inglaterra e Argentina travaram uma batalha pelo arquipélago que era de domínio da Inglaterra desde 1833 e que já havia dado muito pano pra manga entre Inglaterra, França e Espanha.

Por conta da proximidade com a Terra do Fogo, a Argentina sempre considerou a ilha uma herança espanhola e como sempre habitou principalmente a Ilha Malvina, o Governo Militar que se encontrava mergulhado em problemas como empobrecimento da classe média, inflação de 90% ao ano, fechamento de indústrias e comércio, resolveu se lançar em um ato “heróico” para reforçar o patriotismo e invadiu com poderio militar as Ilhas, crente que a Inglaterra, por estar a meio mundo de distância deixaria quieto.

Infelizmente Margaret Thatcher não deixou barato e mandou Porta-Aviões, Submarino Nuclear, Caças e Bombardeiros e dezenas de agrupamentos militares para a região.

Do lado argentino, o poderio de fogo só não era menor que a incapacidade operacional e de estratégia dos comandantes militares e suas tropas, na grande maioria composta por soldados de 20 poucos anos que foram sumariamente massacrados em poucas semanas, atingindo a infeliz marca de 649 mortos, o que fez com que a Argentina se rendesse em apenas uma semana de bombardeios.

O Governo Militar argentino caiu e Margareth se reelegeu.


La Plaza Islas Malvinas


Em homenagem as vidas perdidas, se encontra na baía de Ushuaia, uma praça em homenagem aos soldados que perderam suas vidas e mexeram com o orgulho argentino.

No local existe uma pira permanentemente acesa defronte à um muro de mármore preto com os 649 nomes gravados na pedra.
Porém, uma coisa que emociona são os painéis com fotos ao redor da praça que mostra cenas do cotidiano da guerra e que demonstra o despreparo, e em alguns casos, a descrença de que uma guerra sangrenta estava em andamento.
São cenas de soldados argentinos jogando bola e fazendo escolta com vassouras, rindo, brincando e posando para fotos, enquanto famílias apreensivas rezavam por suas vidas em casa.

Toda guerra é estúpida e esta não fugiu à regra.

Este pedaço da história está atravessado na garganta do povo argentino e prova disso é que enquanto eu filmava e fotografava a praça, por duas vezes motoristas que passavam nos arredores gritaram “Las Malvinas son Argentina”.

Vale a visita.

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