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Entenda o Proj. Rodando as Cidades da Copa



Diário de Motocicleta

Quem me conhece sabe que eu não sei quantos caras jogam no gol... só para ter uma ideia do grau de importância que o tema futebol tem na minha vida, mas ai você deve estar se perguntando, que raios de projeto é este então?

Bom, há tempos nós sonhávamos em viajar pelo Brasil, na verdade, o plano sempre foi conhecer primeiro o nosso país, para só então sair em viagem pelo mundo.

Quebrar a cabeça montando um roteiro que cruzasse as cinco regiões foi um desafio superado, quando anunciaram a Copa do Mundo no Brasil.
O evento caiu como uma luva, já que distribuiram os jogos pelos quatro cantos do país.

Agora eu tinha um roteiro, e bastou um pouco de logística para traçar os mapas de uma volta completa, em sentido anti horário, saindo de São Paulo, subindo para Brasília, depois Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Manaus (seis dias navegando o Rio Amazonas e depois descendo a BR-319), Cuiabá, Porto Alegre e Curitiba.

Vimos muitas Arenas ainda em construção, muita obra que até hoje não foi entregue, e nos tornamos os únicos turistas a visitar os 12 Elefantes Brancos erguidos/reformados para a Copa do Mundo.
Política a parte, focamos no turismo que estas 12 cidades "sede da copa" oferecem aos turistas, com ou sem um evento deste porte.

Em parceria pela 2ª vez consecutiva com o Salão Duas Rodas, nossa trip pelo Brasil terminou com a nossa moto mais suja do que nunca, em exposição no Anhembi, onde mais uma vez tivemos o prazer de receber o abraço dos amigos e escutar incríveis relatos de viajantes de moto.

RASGANDO O MARANHÃO EM 8H

27º dia de viagem
Cidade: Belém/PA | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 2/9/2013
Diário de Motocicleta

Nosso 27° dia de viagem seria bem difícil por conta da distância a ser percorrida... 900 km entre Teresina e Belém.

Eu havia planejado uma parada no meio do caminho para pernoite, mas a Elda queria seguir direto para Belém e como mulher manda e homem que tem juízo obedece, partimos de Teresina por volta das 9h da manhã.

Não costumo fazer longas distâncias com a Elda na garupa, por que sei que para o piloto tudo é diversão, mas quem vai só apreciando a paisagem, um trecho deste tamanho fica muito cansativo.

O recorde da Elda era 850 km em 2011 quando fizemos o trecho Salta – Corrientes no chaco argentino. Me lembro que foram quase 14h pela Ruta 6 em péssimo estado de conservação que consumiu a ambos... agora, mais uma vez não sabíamos o que nos esperava, mas fomos assim mesmo.

O roteiro não tem mistério, BR-316 do começo ao fim, o único senão é a completa falta de placas de sinalização. Tirando milagrosamente as placas de lombadas, que são centenas ao longo do caminho, não espere encontrar sinalização vertical lhe informando sobre uma curva fechada – mesmo prevalecendo retas – distâncias até a próxima cidade e até mesmo qual sentido seguir em rotatórias e bifurcações... é um total abandono.

O asfalto é velho e em alguns trechos mal remendado, causando solavancos que convém diminuir a velocidade se não quiser continuar a viagem sozinho.
Mesmo assim, é possível manter um ritmo forte na aceleração por conta do baixo número de caminhões e retas constantes que facilitam as ultrapassagens... aliás, as retas só não entediam com na Ruta 3 na Patagônia, porque aqui não há terreno plano... é um sobe e desce sem parar.

Há bastante oferta de combustível, praticamente um em cada cidadezinha que a BR-316 cruza, poucos com bandeira conhecida, mas nada que altere visivelmente o rendimento da motoca.

O curioso destas cidades é a grande quantidade de motos de baixa cilindrada, com duas, três e até quatro pessoas andando de chinelo, bermuda e obviamente sem capacete.

Em uma parada para abastecimento, perguntei para o frentista que tinha uma Fazer, se ninguém se importava com capacete e se a polícia não pegava no pé, ao que me respondeu que durante a semana “o pessoal até usa capacete, mas nos finais de semana saem para beber e deixam o capacete em casa” (!).
Quanto a polícia, nem a militar nem a rodoviária fiscalizam.

Neste momento tive que controlar a súbita vontade de tomar umas geladas e andar sem capacete! Brincadeirinha!

Cruzamos o Estado do Maranhão em exatas 8h, percorrendo pouco mais de 600 km e assim que entramos no Pará, o que era ruim ficou pior.
Agora, além da ausência de placas, as faixas desapareceram e com o cair da noite isso seria perigoso.

Outra coisinha que sumiu também foi os acostamentos que viraram pasto para o gado... complicado.

Quando a noite caiu nos restavam ainda cerca de 250 km que fizemos em uma velocidade abaixo do que a usada durante o dia.

Encontramos pista molhada, mas não pegamos chuva.

Os últimos 100 km a BR-316 duplicam, mas não facilitam, ali começam a peça que faltava nesse repertório... buracos.

Pegar um final de viagem ruim é cansativo e estressante, ainda mais cruzando cidades agora maiores como Castanhal onde motoristas apressadinhos e motociclistas imprudentes sem capacetes costuram o trânsito. Quase vimos um idiota parar embaixo das rodas de uma carreta ao tentar passar entre o caminhão e uma camionete, num espaço que nem patinete passava. Por sorte o imbecil sobreviveu e ainda saiu xingando os dois veículos.

Passadas 12h – um tempo muito bom – chegamos em Belém perfazendo 955 km.

Agora vamos nos preparar para embarcar rumo à Manaus via Rio Amazonas... uma viagem dentro da viagem.

Bora navegar!

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